BIO
Ricardo S. Franco (Brasil) é um artista visual cuja prática, iniciada em 2013, processa estados de colapso e entropia. Sua produção utiliza o dispositivo fotográfico como um sistema de registro de eventos limítrofes, onde a instabilidade da matéria e o deslocamento do corpo atuam como índices de exaustão física e investigação do Sublime.
Seu percurso institucional é marcado pela integração de obras aos acervos permanentes da Dirección Departamental de Museos de Rocha (Uruguai) e do Museu Belas Artes de São Paulo (MuBA). Concentra exposições individuais no referido Museu (MuBA) — sob curadoria de Vanilson Luis de Melo Coimbra e textos críticos de Natalia Costa Rugnitz e Daniela Kaplan — e no Museo La Paloma (Uruguai), sob curadoria de Carola Garcia. Integrou exposições coletivas na Casa de Cultura Gerson Pinheiro (curadoria de Aline Reis) e na Casa Galeria A Plena Luna (Uruguai). Franco investiga a perda de energia vital e a entropia biológica, tratando a imagem como o resíduo material do confronto entre o fluido e o sólido.
ARTIST STATEMENT
Minha prática investiga a tensão intrínseca da matéria em estados de desordem. Opero o dispositivo fotográfico como uma ferramenta de análise do colapso, focando na entropia gerada pelo confronto entre o fluido e o sólido. O processo precede o ato fotográfico: a seleção do sítio e o deslocamento físico próximo da zona de arrebentação (crash zone) são protocolos de isolamento sensorial. Ao ocupar este espaço, o corpo deixa de ser um observador passivo para se tornar um componente ativo da equação de forças.
Recuso a estética do acidente. A imagem resultante é o produto de uma calibração técnica rigorosa destinada a registrar a instabilidade da matéria. A câmera funciona como um sensor de estresse fisiológico; a adrenalina do impacto não é uma narrativa externa, mas uma variável que informa a configuração do dispositivo. A fotografia não representa o evento; ela é o resíduo material de uma massa em movimento.
O processamento atua na extração de frequências cromáticas, isolando dados visuais que a turbulência oculta à visão desarmada. A organização composicional opera como um filtro de exclusão, removendo o ruído do horizonte para que apenas a crueza da dissolução permaneça no plano. O trabalho documenta a falência energética comum ao geográfico e ao biológico. Minha obra é o despojo desse encontro: a evidência bruta da existência.
